segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

O nosso Mandatário

Mas afinal quem é o Senhor? – assim exprimia um militante a sua discordância face ao teor de uma intervenção num já longínquo plenário, procurando atacar o mensageiro perante a impotência para rebater a mensagem.

Joaquim Sousa Patrício, militante desde 1974, talvez por isso pouco conhecido! – tal foi a resposta, curta e seca, encerrando muito da história do Partido desde a sua fundação. Da ilusão e entusiasmo dos alvores da democracia, à voragem das maiorias absolutas, que remeteu muitos militantes de referência para o esquecimento e anonimato.

Joaquim Sousa Patrício já desempenhou inúmeros cargos no Partido, mas é um homem essencialmente dedicado ao estudo e à reflexão. Quando se fala no espírito fundacional do Partido, ele encarna-o como poucos e pode com propriedade ser definido como um Fundador. Não só do Partido, mas do IPSD, do Gabinete de Estudos do Porto, tendo ainda emprestado a sua criatividade para a elaboração da 1ª bandeira da JSD. Deve referir-se o papel especial do Gabinete de Estudos do Porto que, nos seus primórdios, deu um contributo fundamental para as bases teóricas que se vieram a consubstanciar no Programa do Partido. É aliás da inteira responsabilidade do GEP a autoria do Artº 1º dos Estatutos do Partido:
1. O Partido Social Democrata (PPD/PSD) tem por finalidade a promoção e defesa, de acordo com o Programa do Partido, da democracia política, social, económica e cultural, inspirada nos valores do Estado de Direito e nos princípios e na experiência da Social-Democracia, conducentes à libertação integral do homem.
2. O Partido Social Democrata concorrerá, em liberdade e igualdade com os demais partidos democráticos, dentro do pluralismo ideológico e da observância da Constituição, para a formação e a expressão da vontade política do Povo Português.
3. O Partido prossegue os seus fins com rigorosa e inteira observância das regras democráticas de acção política, repudiando quaisquer processos clandestinos ou violentos de conquista ou conservação do poder.
4. O Partido não tem carácter confessional.
Industrial de profissão, é um crítico da deslocalização de actividades que se tem verificado nosso País. Nota-se aliás o seu temperamento sofredor, irascível até, quando se fala neste tema, que o toca especialmente.

No Partido, foram muitos mais os cargos que recusou do que aqueles que aceitou e desempenhou. Deputado eleito em 1980, membro do Conselho de Jurisdição Nacional (Congresso de Braga, em Março de 1984), do Conselho Nacional (Congresso da Figueira, em Maio de 1985), da Administração do IPSD e da Comissão Política Distrital do Porto, de que foi Vice-Presidente.

Com a ascensão do “cavaquismo”, foi-se retirando da militância mais activa e dedicou-se a um dos seus hobbies preferidos, o estudo da História de Portugal. Mas jamais abandonou a reflexão política e é um entusiasta de tertúlias, sendo fundador e membro activo do Clube Via Norte, porventura o principal fórum social-democrata do País. Mantém a postura dos “founding fathers” do Partido no Porto: um enorme desprendimento face a cargos e honrarias, uma permanente preocupação com o rumo e estratégias do País. No fundo, um sofredor que não desiste de Portugal.

1 comentário:

Zé Laranja disse...

É sempre gratificante voltar a ver militantes que há muito andavam afastados. Só por isso, felicito esta candidatura.