segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

O nosso Senador

Você reúne todos os requisitos de um Senador – assim o caracterizou Marcelo Rebelo de Sousa num jantar a dois em 1993, quando eram ambos candidatos às Câmaras do Porto e de Lisboa, respectivamente.

Carlos de Brito não consegue disfarçar o agrado que lhe causou tal lisonja, sempre que conta este episódio. E nunca Marcelo Rebelo de Sousa terá sido tão desinteressado e certeiro numa caracterização pessoal.

O termo e o sentido daquela tirada remete para o antigo Senado romano, equivalente à Gerúsia dos gregos e que, etimologicamente, significa a Assembleia dos mais Velhos. Na Antiguidade Clássica, em que não havia papel e não se sonhava sequer com os arquivos digitais dos nossos dias, eram os Anciãos o principal repositório do saber e da experiência acumulados. Era portanto determinante o seu parecer sobre as decisões a tomar, fossem elas relativas à gestão da Polis ou do Império.

Saber e experiência é algo que sobeja a Carlos de Brito. Ao fim de meia hora de uma simples charla de café, qualquer um se impressiona com a imensa cultura que dele brota, sempre entremeada com chistes espirituosos que não beliscam minimamente a autoridade das suas asserções.

Engenheiro Civil de profissão, com uma carreira profissional ligada ao que é hoje o Grupo EDP, está muito longe de ser um tecnocrata. Ao seu extensíssimo curriculum, pode dizer-se que só faltam os cargos de Primeiro Ministro e de Presidente da República. E com tão importantes e exigentes funções já desempenhadas, impressiona a sua informalidade e simplicidade que, em muitos outros e com bem menos justificação, se transformam em presunção e arrogância. A independência – em especial face a interesses instalados – constitui uma das principais facetas da sua personalidade e, não poucas vezes, lhe criou amargos aquando do desempenho de cargos políticos.

Mas mais do que os cargos políticos e profissionais que são fonte de poder, impressionam no seu curriculum as inúmeras ligações que teve e tem com Instituições da Sociedade Civil, que são fonte de autoridade. Desde o Hospital de S. João e Misericórdia do Porto a Fóruns de reflexão como o Clube Via Norte, o Fórum Portucalense ou a Tertúlia das Antas, passando por associações profissionais como a Ordem dos Engenheiros ou a Associação Portuguesa de Management e a Instituições de natureza sócio-cultural como o Ateneu Comercial do Porto, a Associação de Protecção do Património, a Associação de Ludotecas do Porto e, imprescindível num verdadeiro Homem do Norte, o Futebol Clube do Porto.

Toda esta intensa participação cívica e uma grande capacidade devoradora de livros, transmitem-lhe um conhecimento transversal da sociedade e, mais importante ainda, uma fina percepção de como ela evolui e evoluirá. Para além de um enorme realismo – outros chamar-lhe-ão frieza e distanciamento – como encara determinados fenómenos do quotidiano, em especial os relacionados com o poder e sua conquista: efémeros episódios ao nível das pequenas coisas da vida para ele, algo de transcendente e fundamental para muitos.

Mas é este distanciamento, principalmente dos interesses instalados, que lhe conferem uma enorme independência e fazem dele um homem livre. Dentro e fora do Partido, esta tem sido a sua postura. No fundo, a postura que se exige a um verdadeiro senador.

Para além de futuro Presidente da Assembleia da Secção Concelhia do Porto, ele é e será sempre, mais do que qualquer outro, O NOSSO SENADOR.

1 comentário:

Zé Laranja disse...

Militantes como Carlos de Brito são também a história do Partido com quem as novas gerações só têm a aprender.